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sexta-feira, 10 de maio de 2019

SISTEMAS DE ILPF PARA A AMAZÔNIA MARANHENSE SERÃO ESTUDADOS E DIVULGADOS PELA EMBRAPA COCAIS E PARCEIROS - Textos, Embrapa

Fonte: Embrapa

Foi aprovado o projeto “Modelos de Sistemas de ILPF para a Amazônia-MA”, do pesquisador da Embrapa Cocais Joaquim Bezerra, no Edital Associação Rede ILPF – chamada para financiamento de propostas de Unidades de Referência Tecnológica e de Pesquisa – URTs e URTPs e apoio a eventos técnico-científicos – chamada 001/2019. O objetivo é promover a divulgação de Sistemas Integrados de Produção (Sistemas de ILPF) como modelos sustentáveis de produção para a Região Amazônica do estado de Maranhão, na Região da Mata dos Cocais, visando ao aumento na adoção da ILPF como técnica de recuperação de áreas de pastagens degradadas por produtores pecuaristas.

Além disso, com este projeto, pretende-se dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido nas URTs de ILPF da Embrapa Cocais, implantadas em área de ocorrência de Babaçu, na Amazônia do estado do Maranhão.

Com o projeto, a equipe promoverá a capacitação de estudantes e técnicos multiplicadores nas tecnologias de ILPF, bem como a visita de produtores às áreas modelos. Também serão coletados, nas URTs de ILPF da Amazônia maranhense, dados que subsidiarão as avaliações para cada sistema de ILPF adotado nessas URTs.

Pretende-se, no final do projeto, publicar uma cartilha para os pecuaristas maranhenses sobre alternativas e vantagens no uso de ILPF para recuperação de áreas de pastagem degradada. “A URT de Pindaré-Mirim está no quarto ano de atividades e a URT de Bacabal, no terceiro. Alguns dos componentes arbóreos começam a apresentar resultados e o sistema ILPF está se completando com a entrada e avaliação dos animais em pelo menos dois anos, fornecendo dados robustos para análises”, adiantou o pesquisador Joaquim Costa, da Embrapa Cocais.

A equipe da Embrapa Cocais e parceiros instalou URTs em áreas de ocorrência de babaçu, na Amazônia maranhense, nos municípios de Pindaré-Mirim e Bacabal para recuperar áreas de pastagem degradada. Foram desenvolvidas, no âmbito regional e estadual, parcerias com instituições públicas (Embrapa Meio-Norte; Universidade Estadual do Maranhão – UEMA; Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão – UEMASUL; Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Maranhão – IFMA), com o SENAR e com produtores pecuaristas que permitiram a instalação dessas URTs na região amazônica do Maranhão. O projeto também teve apoio financeiro do BASA e da Associação Rede ILPF para instalação e condução das URTs.

Durante a instalação e nos vários anos de condução destas URTs, ocorreram visitas e treinamentos de técnicos de ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) e produtores interessados. Também foram realizadas diversas visitas de alunos do ensino médio, cursos técnicos, graduação e pós-graduação. Na URT de Pindaré-Mirim, foram elaboradas duas dissertações de mestrado e atualmente mais duas estão em fase de coletas de dados, além de vários TCCs que foram realizados com dados coletados na referida URT. “O sucesso do trabalho que vem sendo desenvolvido culminou em diversos Dias de Campo realizados nas URTs, em que foram demonstrados os resultados alcançados e discutidas as técnicas e benefícios dos Sistemas ILPF no aumento de produtividade, lucratividade e melhoria do solo. Além disso, ficou demonstrado que, com o aumento da produtividade nas áreas degradadas, não há necessidade de abertura de novas áreas de floresta para implantar a atividade agropecuária. Com a ILPF, é possível produzir mais sem causar danos ao meio ambiente”, completou o pesquisador. 

Pecuaristas x quebradeiras – Na região amazônica do estado do Maranhão, a atividade pecuária é feita predominantemente de maneira extensiva e em pastagens degradadas, com a presença de palmeiras de babaçu, o que cria dificuldades de convivência entre a atividade pecuária e essas palmeiras. Além disso, um grande problema enfrentado pelos pecuaristas de várias regiões do Estado é a grande quantidade de pindovas (plantas jovens de babaçu ainda sem estipe aparente) que se desenvolvem em meio à pastagem e são consideradas plantas invasoras e o controle (ou a tentativa de controlá-las) é feito com cortes sucessivos em várias épocas do ano, o que eleva bastante o custo para os pecuaristas. 

“São preocupantes os conflitos existentes entre os pecuaristas, que veem na espécie uma planta invasora, e as comunidades de ‘quebradeiras de coco’, que coletam o coco de forma extrativista e dependem financeiramente da renda gerada por produtos e subprodutos da palmeira babaçu e cujo trabalho pode ser importante para o controle e redução drástica de surgimento de novas pindovas nas áreas de pastagem. Portanto, é importante para o Maranhão a realização de trabalhos com sistemas de produção animal, que tenham o babaçu como componente florestal e que adotem práticas de manejo que visem otimizar o uso das pastagens, ou seja, um modelo de produção agropecuária sustentável com a permanência do babaçu no campo que promova vantagens econômicas tanto para o produtor rural quanto para a comunidade extrativista local”, explicou Joaquim Bezerra.  

Mais sobre o ILPF – Os Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que são tipos especiais de Sistemas Agroflorestais, podem contribuir para a recuperação de áreas degradadas, promoção e geração de emprego e renda, adoção de melhores práticas de manejo na agricultura e pecuária, melhoria das condições sociais, redução da pressão de desmatamento e adaptação da unidade produtiva à legislação ambiental. Os sistemas agroflorestais, tais como a ILPF, são definidos como sistemas que aplicam tecnologias para exploração máxima da produtividade da terra, sendo utilizadas espécies lenhosas produtoras de madeira ou não (árvores, arbustos, palmeiras, bambus etc.) junto com animais e outros cultivos agrícolas e/ou forrageiros, levando em consideração um arranjo espacial (misto, denso ou espaçoso, bordadura etc.) e temporal (sequencial ou simultâneo). Além disso, os Sistemas de ILPF podem contribuir para a valorização dos serviços ambientais oferecidos pelos agroecossistemas, como) conservação dos recursos hídricos e do solo; reciclagem de nutrientes e água; sequestro de carbono; e redução de emissões de gases do efeito estufa.

 

Clique aqui para ver esta matéria na íntegra em Embrapa.

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